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Como manter um acervo vivo? A potência de uma trajetória artística?
Um memorial seria somente um exercício de reminiscências?
 
Quando iniciamos a ocupação do Memorial Meyer Filho, em 2004, por meio de acordo cultural firmado  entre a Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, a Prefeitura Municipal de Florianópolis e o instituto Meyer Filho, pensávamos em trabalhar essencialmente com a obra de Meyer Filho, com  exposições e publicações que permitissem a visibilidade da obra e das contribuições do artista no contexto histórico de sua época.
Aos poucos esta tarefa – por vezes árdua e sempre desafiante para quem herda um acervo de relevância histórica e artística – tornou-se não um mero resgate do passado, mas um processo de construção no presente para promover um possível deslocamento de aspectos da obra de Meyer Filho. O lembrar  passou a ser não somente acolher imagens do passado, mas buscar “fazer” algo. “Lembrar-se” faz par com o substantivo “lembrança” e designa o fato de que a memória é “exercitada”1.
Como ser contemporâneo na relação com as figuras e documentos do passado?2 Neste caso, como  poderíamos não somente reconhecer uma contemporaneidade na obra de Meyer Filho, mas sermos contemporâneos à ela? Como buscar na obra deste “modernista” algo que ainda nos interpela?
Compreendendo que “para se lembrar, precisa-se dos outros”3, trago à tona um encontro no ano de 2007 que fez a diferença. Dele resultou a exposição “Meyer Filho: um modernista saído da lira”, realizada no Memorial Meyer Filho e na Galeria Pedro Paulo Vecchietti, com curadoria geral de Rosângela Cherem e co-curadoria de Kamilla Nunes, Raquel Reis e Lígia Czesnat. Nosso compromisso mnemônico começava a se transformar em um fazer que se atualizava em função de um tempo presente.
Ao assumir a curadoria do Memorial Meyer Filho em 2008, Kamilla Nunes fez o exercício de valorização da obra de Meyer Filho fluir. A obra do artista revelou questões da contemporaneidade e foi atravessada por intensidades de artistas contemporâneos, permitindo aos que a conheciam, ou achavam que a conheciam, e aos que a desconheciam, olhá-la de outros modos, percebendo a potência de sua inventividade.
 

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